telemedicina

Mesmo sendo um dos maiores sistemas de saúde do mundo, o SUS no Brasil ainda tem uma série de batalhas por enfrentar no que diz respeito à sua governança fragmentada, problemas crônicos de burocracia e financiamento, além da má distribuição dos leitos no país. É o que mostra relatório do Banco Mundial sobre o Sistema Único de Saúde brasileiro.

O Conselho Federal de Medicina aponta também que mais de 30 mil desses leitos de internação foram fechados na rede pública de saúde em apenas oito anos. Em maio de 2010, contávamos com 336 mil deles para uso exclusivo do SUS. Em 2018, esse número baixou para 301 mil.

Leitos do SUS por Estado

*Leitos do SUS por Estado. Fonte: CFM

Se por um lado a saúde - tanto pública como privada - ainda sofre com problemas anacrônicos no Brasil, por outro ela também tem evoluído com o surgimento de soluções bastante positivas para driblar lentidão de processos, melhorar as práticas de assistência ao paciente e encurtar distâncias.

Um desses exemplos é o projeto piloto Multisaúde, lançado recentemente pelo Governo de São Paulo para oferecer consultas a distância a pacientes com câncer de pele. O programa busca agilizar o atendimento especializado à população, enviando imagens da pele e dados clínicos dos pacientes para especialistas em Dermatologia, que ajudam a diagnosticar o usuário e emitir laudos à distância.

Outro exemplo pode ser visto no hospital Albert Einstein, que também já está fazendo testes com serviços de Telemedicina para dar suporte à UTI de outros hospitais e clínicas parceiros, pelo programa Tele UTI. Nesta iniciativa, intensivistas do Einstein se conectam a salas virtuais para avaliar casos de pacientes internados na UTI, buscando melhorar o prognóstico dos pacientes, uniformizar condutas e protocolos e dividir experiências com outros profissionais.

Mais oportunidades. Mais conexão com o paciente

Com a concentração de médicos nas regiões Sul e Sudeste do país, essa nova possibilidade de atendimentos deve levar mais oportunidades tanto para pacientes quanto para especialistas, que poderão expandir seu mapa de atuação e trabalhar mais próximos a outros profissionais e especialidades.

medicos por municipio brasil-fonte-nexo-jornal

* Fonte: Nexo Jornal.

O principal valor da Telemedicina não é abandonar o atendimento presencial, que deve ser prioritário sempre que possível, mas aumentar o acesso ao atendimento, principalmente especializado, e encurtar distâncias.

Mesmo que o tema ainda esteja em discussão entre Médicos, profissionais de saúde e Conselhos de Medicina, vê-se todos os dias exemplos que provam o quanto a saúde Brasil avança em direção a soluções mais digitais para acelerar o atendimento e entregar uma boa experiência ao paciente.

É inegável que a tecnologia passa por parte da solução a cobrir a demanda crescente por serviços de saúde no Brasil e para a profissionalização do setor, seja em termos de organização, de gestão e de agilidade no atendimento. Ela evoluiu demais no que diz respeito a conectividade, recursos para captar imagens, analisar exames, armazenar dados e transmitir informações.

Desafio da segurança

Esse talvez seja um dos principais motivos de discussão em torno da liberação da Telemedicina no Brasil, mas que deve evoluir em breve, graças à Lei Geral de Proteção de dados (LGPD).

A determinação, que acompanha uma preocupação que já existe há anos nos Estados Unidos e se estendeu para Europa, em 2018, deve se tornar efetiva no Brasil até agosto de 2020.

Com ela, clínicas e consultórios que armazenam informações de seus pacientes em um banco de dados digital, terão que passar por mudanças estruturais para garantir o sigilo desses dados, contribuindo para que a infraestrutura digital em torno do segmento sanitário se modernize e se torne mais segura.

Quando estruturada e tomada com responsabilidade, a incorporação de técnicas digitais à saúde tem muito potencial para melhorar o atendimento ao paciente e trabalho do especialista (leia mais aqui)

Qualidade do atendimento

Outra das grandes preocupações dos profissionais da saúde com a Telemedicina seria o comprometimento dos diagnósticos que hoje são feitos presencialmente, afetando a qualidade do atendimento e do tratamento.

No entanto, é preciso pensar além e ver que a incorporação da Telemedicina pode ajudar em triagens mais qualificadas e no encaminhamento do paciente ao serviço/ especialidade mais adequado. Isso sem contar na interação com outros profissionais e na possibilidade de orientar o paciente com mais rapidez a buscar um hospital quando se detecta necessidade imediata.

As oportunidades de estar mais conectado ao paciente e acompanhar a evolução do tratamento só tendem a melhorar quando a ética que rege a profissão é mantida e alinhada ao atendimento baseado em evidências e ao uso de dados do paciente para tomar as melhores decisões - algo vital também nos atendimentos presenciais.


Integre a tecnologia ao seu consultório e faça a diferença para você e seus pacientes. Clique aqui e conheça a Agenda Doctoralia